Copan
A pausa desatenta
De lentas manhãs...
Percebe o sono que habita esse murmúrio desconsolado
que atravessa a noite de suas janelas.
Enquanto clama-se por um abandono minuto,
em busca desses segundos compartilhados
à beira de um
lugar nenhum
no qual caminha
ninguém.
Procuro no teu berço...
Nada.
Por isso me encontro
E me perco
Sempre que lembro meu nome.
Escrito por joana flor às 15h23
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Que há de ser o mais tarde?
Te encontro ou te perco?
Te mato ou te amo?
Te abuso ou te mamo?
Te meto ou me enfio...
Pelo cano...
Escrito por joana flor às 15h22
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essas faltas...
Hoje acordei com alguns instantes atravessados na minha janela....
Outros alhures.....me traziam um pouco de saciedade
Pra esse estranho fosso que me surpreende.....
Hoje quase estive perto do que me alimenta
Do que me consome
Do que habita meus anceios
O que é possível e tão improvável
esse precipício à beira de teus olhos
no quando me jogo por meus pensamentos
onde
sendo
instante
silêncio.
O hoje ainda é...
Amanhã quem sabe
Dissolvo
essa ausência
que habita meu tempo.
essas horas lânguidas que me lembram teu corpo...
tenho me privado de certos segundos...
pois estar absorto
em mar de ficções
traz à tona ser um outro
um outro instante de passar o tempo.
Meu dia como um amigo que me falta.
Como um estranho que me cumprimenta
Somente estando
Sendo...
O que não se sabe.
Escrito por joana flor às 15h16
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Se foram gastos...
Se foram tardios...
Não sei ao certo se ao menos foram
o fim da poesia
está onde o agora se estreita
e significa apenas.
esse fim
é o que impede
o sobremomento
camuflado nesses segundos
que mal comportam a si mesmos.
Esse tempo ínfimo, curto
mata o que há na poesia
que é a longevidade
de um momento sequer
um momento qualquer
que se torna infinito
além de quem escreve
como um filho pródigo
como um filho que não se tem
e se cria a cada instante.
Escrito por joana flor às 15h15
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o diabo...
Ontem estive com ele
Sim estive bem ao lado
Quase me sobrepujei em seus olhos
A cada instante me movendo como lesma
Consegui
Por um milésimo
Estar em sua pele
Em seu rosto
Ele
Que tanto sobra, mas tanto falta
Que tanto assombra e tanto acolhe
Que representa a si mesmo como tudo e todos
Sim estive em seus pés
A pisar-lhe o calo
Desrespeitando-lhe a face
Peitando seus incestos
Assim
Olho no olho
Gritando em silêncio meus desamores
Estive ao seu lado
Por pequena interseção....
Então
Pintou em minha falta
O sorriso de uma ausência preenchida
Foi quando vi
Que apenas
Somente Me olhava ao espelho.
Escrito por joana flor às 15h13
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Onde estavam eles
Os que vieram esperar pelos incandescentes desejos?
Aqueles que escorrem na manhã
Os pequenos
Os grandes
E no decorrer do dia
Evaporam
Acasos
Distâncias
Silêncios...
aqueles que esquecem os nomes
e desfazem a cor da noite...
e a noite...
simples e singular
nos cabe apenas
a noite sempre
a noite nada
a noite nua
descansa seus seios
em meus versos
onde escondo meus olhos
onde esqueço meus olhos
em seu colo,
noite,
beijo,
breu...
Escrito por joana flor às 15h12
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partitura
Diz-se estando deitada
uma semínima
desafina
seus anceios
à uma breve
semibreve
que descansa-se sobre uma linha
de um pentagrama qualquer
num caderno de segunda.
Escrito por joana flor às 15h11
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Desde o entanto mais profundo que transportava certos desejos
Sempre tudo muito tanto
Que ao menos
Certo de se estar calado e mudo
O último segundo despoja-se de si mesmo
Como instantes avenidas
Que atravessam
A pausa.
Escrito por joana flor às 15h11
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À descartes
Quando jaz no peito,
o pranto de ser condenado,
à sempre estar
dentro de um mundo
ao qual não pertence.
Quando bate nos olhos a ignorância,
é porque sabe
que encontra
à sua frente
um pouco do outro,
aquele que difere.
Eu sei,
hoje,
que
de tantos no mundo,
não posso,
não comporto,
a verdade,
a certeza.
Mas me sinto alheia,
longe, me sinto
quase
inabitante
e
inabitável.
Me sinto inóspita
dentro e fora
de minha opinião.
Hoje, me falta
amanhã.
Sou o que penso,
mas meu pensamento
anda sem casa,
sem porto,
tenho andando assim:
no limite entre
o quase e a dúvida.
Escrito por joana flor às 15h06
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Como podem as coisas
se fazerem de tão desentendidas que são,
ou pretendem,
como quem não quer nada,
se fazerem de desentendidas.
Escrito por joana flor às 15h03
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separações
Silêncio
É o que me habita
Me tenho perdido
Por entre meus medos
Acabo por desandar meus passos
Acabo por desfazer meu rosto
Enquanto desconstruo o seu...
No onde ele se encontra.
Procuro não ver seus lugares
O que é seu que me persegue
O que é seu que me deságua...
Seu cheiro em minha solidão.
O que deságua nos olhos
Um oceano de falta.
Acabo que me acostumo
Com esse meu pranto desandado
Com esse meu choro despedaçado
De falta de música
De falta de cor
De falta de mundo
De falta de abraço
De falta...
Recomeço
De onde havia parado
E quando interrompi meus anseios
No momento em que permiti
Sua presença em meu peito.
Olho pro futuro
Com vontade de mudança
E permito
Que as coisas
Sejam como sempre
Tão inovadoras
E...
Quando mais respeito meus danos
E desenganos
Por um crescimento tardio
Nessa tarde de inverno
Quando meu pensamento
Se encontra aí...
No seu
No seu presente
Que menos percebe
Que menos comporta.
Você...
Se perdeu por seus medos, E eu por minha coragem.
Escrito por joana flor às 15h02
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desejos
Esse quando que não chega...
tarda alguns sentidos....
O como não basta pro meu onde,
sendo antes o instante
que te aguardo.
Já não tanto,
tento o acaso,
sendo este um caso perdido.
Enquanto sinto o quanto quero,
espero, o momento-minuto,
de um segundo,
onde meu mundo,
por um descaso do tempo,
encontre o seu quando.
Escrito por joana flor às 15h01
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deus
Enquanto meus olhos procuram pelo infinito...
Que não posso achar pela janela....
Eu sei que no horizonte.....
Que há um horizonte.
Mas que não posso vê-lo.
Não sei talvez seja a falta do mar.
Aquilo que se ausenta e permanece imóvel,
como uma cabeceira,
aquilo que me torna
aquilo que me torna tão pequeno
pro que é meu
e que eu tenho pro meu espaço definido
que é meu corpo.....
o ar que ainda respiro....
se torna água,
enquanto me dissolvo....
enquanto me dissolvo,
no estar do estar agora,
no meio do que chamam
deus.
Escrito por joana flor às 14h58
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dissertações
Nunca pude dizer o que há de conjetural em palavras escritas sem parecer-me estranha,
Nem o perceber de tal fatal hipótese
Me faz menos outra pessoa para meus olhos.
Escrito por joana flor às 14h57
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Escuto a falta que faz tua ...
de quando teu dentro me devolve à face
o que há de sonho...
Hoje,
Trago em minha boca
o apenas que é o tempo,
nesse tanto que é teu corpo,
me dissolve de segundos
pelo nunca que me sempre,
quando transpira esses instantes
no onde habito teu agora.
Escrito por joana flor às 14h56
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